Tatiana Sampaio alega que pesquisa da polilaminina revisada por pares vai ser publicada, mas não dá detalhes
A cientista Tatiana Sampaio afirmou à agência Reuters que um estudo revisado por pares sobre a polilaminina está prestes a ser publicado, mas não informou em qual revista científica nem quando os resultados serão divulgados. A declaração ocorre em meio ao crescente interesse pelo tratamento experimental para lesões na medula espinhal, que ainda passa por testes para comprovar sua segurança e eficácia em humanos.
A polilaminina é uma proteína derivada da placenta que busca estimular a regeneração de nervos lesionados. O tratamento ganhou notoriedade no Brasil após resultados promissores em estudos com animais e a divulgação de um estudo preliminar (preprint) em 2024, promovido pela farmacêutica Cristália, que adquiriu a patente da tecnologia.
O interesse público cresceu rapidamente. Pacientes de diferentes regiões e até de outros países passaram a buscar acesso ao medicamento experimental, enquanto dezenas de pessoas recorreram à Justiça para tentar obter autorização para o tratamento. A repercussão também transformou Sampaio em uma figura conhecida nacionalmente. Durante um desfile de Carnaval neste ano, o cantor João Gomes chegou a chamá-la de "a maior celebridade que temos aqui hoje".
Governo demonstra otimismo
O governo federal acompanha o desenvolvimento da polilaminina com expectativa. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o medicamento foi o primeiro produto analisado pelo recém-criado Comitê de Inovação da Anvisa.
"Se o estudo clínico apresentar bons resultados, pode ser ofertado o mais rápido possível à população", afirmou o ministro à Reuters.
Para Tatiana Sampaio, o entusiasmo em torno da pesquisa também reflete o reconhecimento de uma descoberta desenvolvida no Brasil. Ela ressaltou, porém, que a polilaminina continua em avaliação para eventual aprovação regulatória.
Especialistas pedem cautela
Apesar do entusiasmo, pesquisadores e entidades científicas afirmam que ainda é cedo para concluir que o tratamento funciona.
Marco Baptista, diretor científico da Fundação Christopher & Dana Reeve, classificou a pesquisa como inovadora e promissora, mas destacou que ela representa apenas uma entre diversas abordagens experimentais ainda em fase inicial de desenvolvimento. Segundo ele, é necessário confirmar tanto a segurança quanto a eficácia do tratamento antes de qualquer conclusão.
A Academia Brasileira de Neurologia também defende cautela. O presidente da entidade, Delson José da Silva, afirmou que a comunidade científica deseja o sucesso da pesquisa, mas que ela precisa cumprir os critérios exigidos para validação científica.
Resultados iniciais ainda geram debate
Os primeiros testes em humanos envolveram oito pacientes com lesões completas na medula espinhal. Dois morreram em decorrência da gravidade dos ferimentos, enquanto os seis sobreviventes recuperaram algum grau de controle motor abaixo da área lesionada. Um deles, Bruno Drummond de Freitas, recuperou-se completamente e voltou a caminhar sem auxílio após dois anos.
No entanto, especialistas observam que alguns pacientes com lesão cervical podem apresentar recuperação espontânea, o que reforça a necessidade de estudos controlados e revisados por pares para determinar o real impacto da polilaminina.
Ensaio clínico de fase 1 está em andamento
A Anvisa autorizou um ensaio clínico de fase 1 para avaliar a segurança da polilaminina em cinco pacientes com lesões agudas completas da medula espinhal. O estudo inclui pessoas entre 18 e 72 anos tratadas em até 72 horas após o trauma.
Segundo a Cristália, que investiu mais de R$ 110 milhões no desenvolvimento do medicamento, a empresa também tem doado o tratamento para pacientes agudos após autorização da agência reguladora. Até o momento, 84 pacientes receberam autorização para uso compassivo da polilaminina, sendo 44 por decisão judicial e 40 por vias administrativas.
Enquanto os estudos prosseguem, Tatiana Sampaio afirma permanecer focada na pesquisa e confiante no potencial do tratamento. "Tem algum mérito em não desistir", disse a cientista.FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/06/03/tatiana-sampaio-alega-que-pesquisa-da-polilaminina-revisado-por-pares-vai-ser-publicado-mas-nao-da-detalhes.ghtml